Sentia meu estomago se revirar, estava muito nervosa. Afinal era meu primeiro dia de estagio. Tinha ficado quase 1 h escolhendo a roupa perfeita, e no final optei por uma calça jeans escura com uma camisa feminina branca, estava com o cabelo preso num coque, uma fraca tentativa de parecer mais profissional. Queria causar uma boa primeira impressão. Mas é bem difícil fazer isso quando Draco Malfoy está presente, diga-se de passagem, que ele não perde uma chance para me atormentar, e todas as tentativas dele tem total sucesso comigo.
A primeira coisa que tivemos que fazer, foi conhecer todas as áreas do jornal. Um homem, que devia ter lá os seus quarenta anos, mas que ainda assim era bonitão, nos mostrou tudo. Não sabia o que me deixava mais nervosa, o 'Malafoy', o bonitão dando uma de monitor ou o fato de não estar conseguindo parecer à pessoa mais inteligente do mundo. Eu falava a mim mesma, 'você conseguiu isso com seu trabalho, você pode garota', mas eu realmente não acreditava muito nisso.
Depois do nosso pequeno 'tour' pelo jornal, o Sr. David, o bonitão metido a monitor, nos mostrou uma saleta, muito pequena por sinal, onde havia uma mesa, uns objetos bruxos em cima da mesma e duas cadeiras. E disse num tom todo pomposo:
-Bem Srs., será aqui que vocês ficaram durante o estagio, esta sala fica ao lado da minha, por isso qualquer duvida é só se dirigirem à próxima porta. – ele apontou para uma porta ao nosso lado. – e a Srta. Riza estará sempre aqui para ajudá-los. – ele apontou para uma loira, muito bonita por sinal, deveria ser mais velhas que nós, mas não muito também. E estava com 'tudo em cima', tinha aquele famoso 'corpão' o que faz os homens babarem, e claro, com Malfoy a reação não foi diferente.
Vi o olhar que ele deu a ela, ele praticamente a 'comeu' com os olhos. Não que eu me importasse com isso, mas foi realmente desagradável. Não consegui escutar mais nenhuma palavra do Sr. David, a não ser quando ele se despediu de nós, levando com ele a srta. - que-deixa-Malfoy-de-boca-aberta.
Como era o primeiro dia não teríamos +muito que fazer, era mais um dia para nos acostumarmos com a 'nova vida'.
Eu me sentei em uma das cadeiras e folhei os papeis e verifiquei os objetos em cima da mesa. Tinha vários pergaminhos, umas três penas de repetição, e alguns relatórios. Estava realmente distraída, nem percebi que o Malfoy estava me observando.
-Weasley. – disse ele. Eu levantei a cabeça e o encarei.
-Sim? – disse num tom bem formal.
Acho que ele ia dizer algo de importante, ele abriu a boca, parecia um pouco nervoso. Mas logo a fechou novamente e me encarou.
-Fala Malfoy! – disse num tom que expressava certa curiosidade, o.k. eu admito estava morrendo de curiosidade, queria saber o que ele iria falar.
-N-Nada - disse ele desviando o seu olhar e pegando um dos pergaminhos na mesa.
Revirei os olhos, respirei fundo e contei até 10. Certo, ele conseguia me irritar.
Passara-se um bom tempo desde nossa última conversa, e o clima estava bem desconfortante. Olhei para ele disfarçadamente, ele percebeu meu olhar e disse:
-Que foi Weasley?
-N-Nada. – disse tentando não gaguejar, fraca tentativa.
-Confessa... – ele disse naquele tom de 'eu sou o bom'.
-Você ta bem Malfoy? – perguntei agora colocando o pergaminho na mesa e o encarando.
-Pode falar que você quer mais...
-Malfoy, ou você fala coisas que façam sentido ou não fale! – ele estava me deixando irritada. O olhar misterioso, o sorriso no canto da boca, tudo nele me irritava.
-Ah Weasley não tente esconder, sei que você não esqueceu o beijo. – essa era boa, eu pensando nele? Há. Certo, eu pensava nele, mas só um pouquinho, e também não é fácil deixar de pensar num garoto que te beijou duas vezes no mesmo dia e ainda age como se nada tivesse acontecido.
-Vá caçar sapos de chocolate Malfoy! – disse fechando a cara e tentando me concentrar no pergaminho. O que estava sendo bem difícil no momento. Eu sentia meu coração acelerar, queria acabar aquele assunto ali, mas ele parecia ler meus pensamentos.
-Ruivinha, nunca te ensinaram que se deve olhar nos olhos das pessoas com quem se fala?
-Ora, falou o Sr. Educação! Também não é educado beijar uma pessoa a força! – PORQUE MERLIN? PORQUE EU TINHA QUE TER UMA LINGUA MAIOR QUE A BOCA, QUE AINDA POR CIMA TEM MENTE PROPRIA!
-Ruivinha você não sabe que é feio mentir... – ele se levantou e parou na minha frente. – Eu não beijei você a força, você sabe disso. – ele agora tinha se agachado e seus olhos azuis se encontraram com os meus verdes. Aquele olhar, hipnotizador me deixava nervosa, mais do que eu estava.
-confessa Ruivinha... Confessa que você adorou meu beijo, e ta louca por outro. – ele realmente era um bom leglimente, mas eu não ia me render aos encantos dele. É preciso mais do que um par de olhos azuis para me conquistar.
-Malfoy já te mandei ver se eu estou na Cornualha? Me esquece por favor. – levantei da cadeira, não agüentaria nem mais um segundo olhando para ele, e tão perto. Sabe se lá o que ueu/u poderia fazer.
Ele levantou também, segurou meu braço, senti meu coração acelerar ainda mais. Como ele conseguia fazer isso? Ele tinha o poder de deixar minhas pernas bambas, de me deixar sem sentido, sem rumo, me sentindo perdida, e ao mesmo tempo ele tinha o poder de me fazer experimentar sensações que eu já mais conhecera. E tudo isso com apenas um toque. Eu devia estar realmente endoidando.
Virei-me e deparei com aquele olhar bem próximo de mim. Meu coração batia contras às costelas, ele entrelaçou seus braços na minha cintura. Puxou-me ainda mais para perto dele. Estar ali, nos seus braços, era uma sensação sem explicação, era como se o mundo que eu conhecesse não fizesse mais nenhum sentido, era como se tudo que eu soubesse até agora, simplesmente não significasse nada. Ele conseguia roubar meus sentidos, sabia que não deveria fazer isso, sabia que ainda iria me magoar com ele. Éramos de mundos diferentes.
Ele era popular e tinha metade das garotas aos pés dele. Eu seria apenas mais uma. Mas eu não conseguia evitar, tudo era muito bom, estar ali, presa nos braços dele, era inexplicavelmente tudo que eu queria. Mas ele não me beijou apenas me encarou, eu me perdi na imensidão daquele olhar. Sabia que era me olhar não acontecer nada. Mas meu corpo não obedecia meu cérebro. Ele percebeu meu olhar receoso, e disse num sussurro:
-Não se preocupe, não vou te beijar! – por um minuto odiei ouvir aquilo, mas sabia que era o mais sensato, não queria me apaixonar por ele, não podia simplesmente gostar dele. Nunca daria certo, não queria me magoar. E a única maneira de fazer isso era esquecê-lo, esquecer todas as sensações que ele me fazia sentir. Esquecer os seus beijos, seus olhares, e só assim conseguiria me livrar dele. Seria difícil, mais eu estava disposta a tentar.
Ele me soltou, eu respirei aliviada, era o melhor a se fazer. Tratei de ir me sentar e tentar ignorar todos os olhares dele. Dei graças a Merlin quando chegou o fim do 'expediente'. Só queria ir para casa e descansar. Tentar esquecer aqueles últimos acontecimentos.
Ele me acompanhou até
Fui correndo para meu quarto precisa de um lugar silencioso para pensar. Sentia-me estranha, não sabia o que fazer, não conseguia entender como isso acontecera.
Deitada na minha cama tentava lembrar de tudo, e não conseguia ver em qual momento que isso acontecera. Era uma armadilha, uma 'peça' do destino, e eu cai direitinho. Tentei parar de pensar nisso, mas não tive sucesso. Pelo menos até minha mãe gritar meu nome avisando que o jantar estava na mesa. Não sentia a mínima fome, queria mesmo era continuar ali sozinha, mas se eu não fosse certamente teria que me explicar, por isso resolvi descer.
-Querida que cara é essa? – porque mães sempre sabem quando estamos mal? Devem ter tipo um sinalizador que apita nessas ocasiões, detesto isso.
-Nada mamãe! – disse numa fraca tentativa de tentar mudar o rumo da conversa, que não deu certo.
-Não minta pra mamãe querida! – odeio quando ela faz isso, principalmente na frente de todos. Sorri e sentei
Tinha sido um dia bem cansativo, metade dele eu gastei pensando nele, e em como tudo isso aconteceu. Num dia eu estava feliz da vida na Toca, no outro numa mansão gigante que tinha 10 vezes o tamanho da Toca, com 2 novos irmãos, um novo pai e um inimigo bonitão! Minha vida realmente tinha mudado muito, só não sei se para melhor... Ta certo que beijar o seu inimigo e gostar disso não é o que eu chame de mudar para melhor. Mas eu juro por Merlin que vou esquecê-lo!
Eu estava tentando dormir, ou melhor, tentando não pensar unele/u, quando alguém bateu à porta. Não estava com a mínima vontade de ver ninguém, muito menos minha mãe. Mas murmurei um 'entre'. Para minha surpresa, ou não, não era minha mãe, e sim John. Eu dei um sorrisinho amarelo, e ele se sentou na minha cama.
- Tudo bem que você não queira falar do que está acontecendo com os outros, mas você pode confiar em mim. – ele me deu aquele olhar, sabe aquele que não ira agüentar mentiras do tipo 'ta tudo bem'. Eu respirei fundo e apenas disse.
-John, é bem legal da sua parte vim falar comigo, mas realmente não precisa se preocupar, eu não to me sentindo muito bem hoje, mas eu vou melhorar. – sorri, esperando que ele apenas sorrisse em troca e falasse que realmente tinha coisa melhor pra fazer do que escutar confissões de uma adolescente apaixonada. Mas eu estava errada.
-Gina, quero que você escute bem o que vou te dizer. – ele falou bem sério me encarando. – Você já faz parte da minha família, e querendo ou não, eu te considero como minha irmã, e eu acho que o papel de irmãos é se ajudar. E qualquer coisa problema que você tenha, é meu também sabe? Você pode confiar em mim, prometo de ajudar no que for preciso, só não quero te ver com essa carinha triste pela casa. – Pelo menos a parte de ganhar dois novos irmãos foi até que legal. John era super legal, ele é daquelas pessoas que você realmente pode contar pra tudo, e eu realmente gosto dele, como irmão claro. Mas não estava com vontade de falar sobre ele.
Ele me olhou carinhosamente, como meu pai sempre me olhava quando eu estava mal, eu não agüentei e desabei no 'ombro' dele.
-Puxa, é bem legal da sua parte John. Mas eu não queria falar disso. – senti de repente meus olhos marejarem. Só me faltava essa, começar a chorar na frente dele como um bebe, por Merlin, porque isso?
-Gi, - ele começou tentando me acalmar e dando palmadinhas no meu ombro. – isso tem haver com uele/u?
-ele? – olhei para ele, será que ele falava do Malfoy? Ele sabia de alguma coisa? Será que estava tão na cara assim?
-Sabe quando você acha que ta tudo indo bem, quando você acha que realmente assumiu o controle da sua vida. Mas daí de repente tudo muda, tudo que você achava certo, parece bobeira. Parece que minha vida saiu do eixo, eu perdi o controle e acho que fiz uma coisa que eu não queria. – quando eu começo a falar, não há quem pare. Mas John não ficou com cara de tédio, como eu esperava. Apenas olhava carinhosamente para mim enquanto eu desatava a falar coisas sem nexo.
-Gi, eu entendo que pra você tem sido difícil, sabe, perder um pai tão nova, e de uma maneira tão drástica. Depois, como você disse, quando achar que tudo estava bem, sua vida muda completamente. Você arranja novos irmãos, novo pai, nova casa. E parece que você vive em outro mundo. Eu entendo o que você sente, já me senti perdido, você não é fraca por pensar assim, você realmente agüenta muita coisa, e agora, sei que o maior problema é ele. Bem não sei realmente o que aconteceu entre vocês, mas se você quiser conversar...
Ele realmente sabe como fazer uma pessoa se sentir melhor. Estava gostando da conversa, e gostando de ver como ele me entendia perfeitamente. Por isso desatei a falar tudo, sobre a festa, e sobre os beijos, e claro sobre como eu havia gostado dos beijos...
-Gina, não acho estranho você gostar do beijo dele, você não acha que pode haver algo mais que esteja acontecendo entre vocês?
-Algo mais?
-Sabe, você já parou para pensar que ele pode estar gostando de você também. – isso era uma coisa que eu ainda não havia pensando, será que ele poderia gostar de mim? Essa idéia era irreal, e John deve ter percebido minha cara, pois logo falou.
-Ora Gina, e esse anel aí? Vai me dizer que é coisa de amigos, e pelo que você me falou, sobre os beijos, ele que tomou a iniciativa...
-Ah John, você realmente acha que aquele galinha, metido, pode gostar de alguém a não ser ele próprio?
-Acho, saiba que há uma primeira vez para tudo, até para se apaixonar de verdade.
-John por favor... ele não pode estar apaixonado por mim!
-E por que não?
-Ora, ele é popular, bonito, tem um monte de garotas melhores do que eu aos pés dele...
-O que ele tem de auto-confiança, falta em você! Por Merlin se olhe no espelho! Você é uma das garotas mais bonitas que eu já conheci. É muito legal, inteligente, amiga, só um trasgo para não gostar de você. – eu não costumo ser tão emotiva, mais ver alguém falar coisas tão legais de você, apesar de achar que não é verdade, é muito bom.
-John, eu realmente acho...
-Só vou te dizer uma coisa, isso você não tem como saber, sabe se ele gosta de você, a não ser que vocês conversem.
-John, não vou falar sobre isso com o Malfoy...
-Tudo bem, então acho que você devia deixar acontecer sabe?
-Mas eu não quero me magoar! E a única maneira de não me magoar é ficar longe dele, o máximo possível!
-Alguém já te falou que não se manda no coração? E garota, você não pode estar falando sério... Sabia que quando você tenta, você tem a possibilidade de, como você diz, se magoar. Mas se você não tentar, ai sim, você vai estar errando e feio, que custa tentar, afinal pior do que ta não da pra ficar.
John é realmente legal e sabe dar conselhos, o problema é que eu não podia crer que isso estava acontecendo, sabe, eu poderia estar me apaixonando pelo Malfoy, e ele por mim? Era coisa demais para um dia.
Ele deve ter percebido minha cara. Ele me olhou ternamente, eu sorri. Tinha gostado da sua visita, ele havia feito eu me sentir melhor. Ele beijou carinhosamente minha testa e falou por fim:
-Agora que acho bom você dormir, amanha tem outra grande jornada. – ele piscou para mim. Eu retribui com um sorriso. – não pense mais nisso agora, tente relaxar, e faça o que eu disse, não tenha medo de se envolver com ninguém, e deixe tudo acontecer como deve ser. Só não deixe as oportunidades passarem.
-O.k. Obrigada por tudo! – disse sorrindo, o mais sincero do dia.
N/a bom, amanhã, se tiver tempo, coloco mais!
beijinhos =)
Flora Sly.
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