Acordei hoje com uma dor de cabeça insuportável, e o pior é que nem bebi nada ontem. Olhei no relógio e vi que já eram 8:00 h, agora teria menos de 30 minutos para em trocar e comer, boa Gina, atrasada e com uma 'ressaca' causada por ficar até as 3:00 h da manhã pensando (sim, eu penso!) em nada menos do que no 'quase beijo' com o Malafoy. Esse quase beijo não saiu da minha cabeça desde sábado.
Flash Back
Eu podia senti-lo se aproximando de mim, meu coração martelava contra minhas costelas, o batimento estava tão acelerado que tinha certeza de que os escutava. Fechei os olhos e relaxei a boca. Senti seus lábios tocarem os meus, um leve arrepio percorreu pela minha espinha.
Ele pousou sua mãe nos meus cabelos, mas não consegui saber exatamente o sabor daquele beijo, bem na hora, alguém abriu a porta. Quem quer que fosse podia se sentir amaldiçoado pelo resto da vida.
Me desgrudei do Malfoy o mais rápido que pude. Olhei para a porta, sentia minhas bochechas queimarem, não ousei olhar para o Malfoy. Mas quando vi que Michael estava na porta, com uma cara bem boba por sinal, eu só queria correr para bem longe, o que Michael iria pensar?
Certamente que eu e seu melhor amigo estávamos tendo um caso. Ele iria me atormentar, eu poderia aparatar, mas vai saber o que o Malfoy vai dizer...
Eu ia ter que ficar lá e arcar com as conseqüências de quase ter beijado o Malafoy.
Depois de dolorosos segundos num silêncio mórbido, Michael falou:
-M-Malfoy? – na verdade ele gaguejou o nome do Draco, acho que ele deveria estar de perguntado se não era um sonho, certamente que não, pois isso era quase um pesadelo. – Eu estava te procurando, mas já vi que você arranjou companhia melhor. – ele concluiu com uma voz estranha, não parecia a voz sonsa dele, parecia a voz de Rony com ciúmes! Há essa era boa, Micheal bancando o irmão ciumento (meio irmão por sinal).
E quando eu estava achando que pior não poderias ficar, bem, ficou. Malfoy se levantou e seguiu Michael. Não dava para acreditar que em um minuto estávamos quase nos beijando e no segundo seguinte o imbecil do meu meio irmão aparece e ele prefere ir com ele do que ficar comigo, claro que eu não pretendia ficar ele, mas eu nunca tinha sido tão desprezada. Ginevra Weasley, você não deve ficar se lamentando por causa de um Idiota como esses, você merece coisa melhor, era o que eu dizia a mim mesma antes de explodir.
Fim do Flash Back;
E as duas últimas noites eu tenho tido sonhos extremamente chatos e bobos com essa cena, e num deles eu estava beijando Draco (argh!) e logo depois ele se transformava num trasgo, o que para ele não faz tanta diferença. E por isso além de atrasada e com dor de cabeça eu estava num péssimo humor.
E isso significa que não estava afim de olhar na cara do meu querido amigo Malfoy, mas hoje além de atura-lo na academia, também teria que agüenta-lo no estagio, algo de bom hoje, primeiro dia do estagio, e pretendo parecer uma profissional eficiente e inteligente! (há, vamos ver isso).
-Gina! – gritou John, eu estava terminando de engolir uma torrada e tentando beber meu suco de abóboras. É eu estava atrasada.
-Tô indo! – disse eu com a boca cheia de torradas, eu sei que não é educado falar de boca cheia, mas eu tinha colocado coisa demais na boca.
-Gina querida, não se fala de boca cheia. – minha mãe começou a me dar uma lição de moral falando que assim não arranjaria namorado... Dá pra acreditar até minha mãe percebeu que eu estou, digamos, encalhada.
-Desculpe... – disse eu tentando me redimir.
-Gina, vou te deixar aí. – agora quem gritara foi Michael, grande progresso, desde a festa não havia olhado na minha cara direito.
Dei um beijo em mamãe e si correndo tentando equilibrar meus livros com uma mão e torradas na outra.
Quando sai percebi que Malfoy já estava no carro, e eu semi-descabelada, com torradas e livros caindo pelo chão, digamos que não era uma situação muito legal de se encontrar alguém. E quem disse que Malfoy é alguém? Ginevra se controle.
-Dormiu demais Weasley? – disse Malfoy com um sorriso no canto da boca.
-Isso não é da sua conta Malfoy. – respondi o mais educadamente possível, queria por um fim naquela conversa.
-Já vi que ta de mal-humor hoje. – dessa vez foi John que falara, ele era a única pessoa naquela casa que me compreendia. Então tentei ser legal e apenas sorri, mas sabe aqueles sorridos que de tão forçados fazem bebes chorarem? Deve ter sido um desses que eu dei.
O caminho foi bem longo hoje, queria chegar na escola logo para não ter que olhar na cara do Malfoy, mas por outro lado tinha o Bernard... Porque minha vida só tem garotos bobos? Por Merlin!
Chegando na academia Michael virou para o banco de trás e falou para mim:
-Mamãe disse que hoje começa o estagio, e que você não vai voltar comigo, e sim com Draco. – ele olhou feio para Malfoy, tudo bem que Michael não é uma das minhas pessoas preferidas, mas não queria que ele brigasse por minha causa. – Daí eu combinei com o Draco dele te levar em casa.
Certo eu fiz 22 anos sábado, alguém já percebeu isso? Acho que não porque me tratam como se eu tivesse 10! Mas eu não estava com animo para discutir, na hora de sair do estádio eu despistava o Malfoy e aparatava, plano perfeito. Então para Michael só fiz um gesto com a cabeça e sai do carro.
Estava ainda atordoada e minha cabeça não parava de latejar, acho que durante a primeira aula iria na enfermaria pedir alguma poção para isso.
Quando estava chegando no meu armário vi uma cena muito deprimente, a sanguessuga Malfoy's loira oxigenada ao lado de Bernard se exibindo o máximo que podia, mas ele parecia não estar prestando muita atenção, pois quando eu cheguei ele correu direto ao meu encontro (argh) para falar que eu estava linda na festa, mas tinha sumido...
Expliquei rapidamente as dores na cabeça e ele me ofereceu um pouco de poção que ele tinha feito uns dias atrás. Sorri e disse não. Afinal, vai que sem querer era uma poção capilar? E não seria eu que iria descobrir.
Fui me arrastando pelos corredores até a sala, como eu queria não ter saído da cama.
-Weasley! – ouvi alguém gritar meu nome, queria ignorar, fingir que não ouvi, mas quando ia dar mais um passo senti meu braço sendo segurado por alguém. Aqueles braços, era ele, podia sentir seu perfume se exalando pelos corredores, por Merlin, porque eu tinha que ter um inimigo bonitão? Vidinha injusta não?
-Me solta Malfoy. – disse no meu tom mais sonolento possível. Não sei como aconteceu só sei que no segundo seguinte eu tinha sido prensada num corredor por dois braços (bem fortes) e agora ele me olhava maliciosamente. Eu podia ter dado um soco nele, mas não conseguia mover nenhum músculo.
-sabe Weasley, agente não terminou a nossa conversa na sua festa. – agora ele queria terminar o 'assunto'. Essa era boa, primeiro ele me deixa no meu jardim com cara de hipogrifo molhado e agora quer terminar o 'assunto'.
Levantei uma sobrancelha e tentei me desvencilhar dos braços dele. Mas foi em vão. Continuei ali.
-Malfoy eu vou gritar se você não me soltar. – disse entre dentes, mas ele tem argumentos muito convincentes.
-Se eu fosse você não faria isso.
-A é? – eu ia gritar, mas quando abri a boca novamente a única coisa que aconteceu foi a língua dele entrar na minha boca. Ele tinha me beijado, em pleno horário de aula, e eu ao invés de para-lo, cedi ao beijo dele, Por Merlin como ele beijava bem. Um inimigo gato que beija bem? É castigo! O beijo ia ficando mais quente a cada segundo, ele agora segurava minha cintura e sua mão deslizava pelas minhas costas. Eu não conseguia me mover, apenas cedia ao beijo.
Depois de um bom tempo ele me soltou, eu precisava de ar, e ele também. Ele me olhou novamente e eu falei:
-Você é louco? Ou melhor é um tarado.
-Eu avisei para não tentar gritar. – Ah como eu odeio esse cinismo todo dele, como eu odeio esse sorriso sedutor, como eu odeio esse perfume... Eu simplesmente odeio esse Malfoy!
-Malfoy, me esquece! – disse isso saindo andando, quase correndo para ser sincera. Não queira olhar para trás, não queria ver a cara dele. Por que eu tinha que ter deixado ele me beijar? E o pior de tudo, porque eu tinha que gostar daquele beijo?
Estava quase na 3º aula e o imbecil do Malfoy não saia da minha cabeça. Porque ele tinha que fazer isso? Não bastava a 'linda cena' no sábado, agora isso. Merlin deve estar muito bravo comigo. E seu ficar mais 5 minutos nesse banheiro acho que vão pensar que eu me afoguei, o que não é uma má idéia...
Dei uma última olhada no espelho, minha cara estava péssima. Joguei um pouco de água no rosto e fui enfrentar o sr. Cara de trasgo, mais conhecido como Professor Edward.
Entrei na sala, murmurei um 'licença', que o professor ignorou. Antes de eu ir me sentar vi que algum me observava, olhei para o lado e vi Malfoy me encarando, dei um olhar bem feio e vi um sorriso surgir no canto de sua boca. Se ele estava querendo me enlouquecer, o plano dele estava indo muito bem, eu realmente estava com a cabeça a mil, não sabia mais o que pensar, e por fim decidi ir me sentar.
E eu realmente deveria estar péssima, porque até Bernard reparou...
-Que cara é essa Gina? Você ta bem?
-Hãm? Foi o único som que saiu da minha boca.
-ruivinha, você deveria ir na enfermaria... – disse Jack entrando na conversa.
-é, quando acabar a aula eu vou. – disse numa tentativa fracassada de fazer todos me esquecerem, mais Jack insistiu.
-você vai agora! – fiz uma cara de cachorro pidão. Mas ele estava irredutível. – E não adianta fazer essa cara, você vai agora, ou eu vou ter que te levar.
-O.k. eu vou ta? – levantei e fui falar com o sr. Cara de trasgo, ele pareceu nem se importar com ter um aluna quase desmaiando, mas me deixou ir.
Fiquei quase uma hora na enfermaria, a srta. (pois ela nunca se casou, Merlin, não quero terminar assim!) Julie, a enfermeira da escola, me deu uma poção para dor de cabeça e uma bronca por ter esperado tanto tempo. E pra melhorar ainda me mandou ficar meia hora de observação, uma meia hora sem Malfoy, bom começo.
Estava eu com os meus botões, quando a enfermeira entrou na saleta onde eu estava e disse amavelmente:
-Querida você já pode ir.
-Ah obrigada. – disse antes de sair da sala, realmente deveria agradecer, minha dor de cabeça estava exterminada.
Estava na hora do almoço, por isso nem voltei para classe, fui logo ao pátio. Estava um sol realmente incomodo, mas pior do que o sol era só ter que aturar Bernard o intervalo todo. Com tantas sanguessugas por aí, ele veio me escolher!
-Gina! Você ta com uma cara melhor. – eu tentei sorrir, mas foi uma tentativa fracassada, acho que não foi nada convincente e o máximo que faria era bebe chorar.
-ruivinha, a srta. Julie cuidou bem de você, esta realmente com uma cara melhor. – certo, deveria estar com uma cara horrível mesmo aquela hora.
-é ela realmente sabe o que faz. – eu disse tentando sorrir para Jack.
-é hoje que começa o tal estágio né Gina? – disse Jack mudando de assunto.
-é sim. E infelizmente vou ter que passar a tarde toda com o Malafoy. (argh) – terminei a frase com uma careta. Jack sorriu e disse:
-você consegue ruivinha. Você atura o Bernard. – disse a última frase sussurrando, de modo que só eu ouvi, e não pude deixar de rir.
O resto da manha foi mais normal, professores falando, Bernard se olhando no espelho, Malfoy se achando e um bando de sanguessugas babando. Quando terminou a última aula fui andando logo para a saída. Mas fui impedida por um certo loiro de olhos acinzentados que estava entre a porta e eu.
Revirei os olhos, não estava com vontade de aturá-lo, muito menos de ficar sozinha com ele. Veja, não que eu tivesse medo dele fazer alguma coisa comigo. Tinha medo que eu poderia fazer com ele.
-Malfoy saia da minha frente. – disse o mais amigavelmente possível, mas não funcionou.
-Esqueceu que Michael disse para você ir comigo? – ah sim, o meio irmão ciumento e protetor que acha que eu tenho 9 anos, é como eu não me lembrei disso?
-Por Merlin, tenho 22 anos, eu sei me cuidar sozinha.
-Não é o que parece... – disse ele no seu tom mais cínico do mundo. – Qual é o problema de ir comigo? Tem medo Weasley...
-Medo de você? Há, pra mim você é apenas uma doninha crescida.
-Confessa Weasley, que você tem medo de não resistir a mim. – Eu acho que ele deve ter andado praticando leglimencia...
-Malfoy ta na hora de você sair do seu mundinho e voltar pra esse aqui, onde você não é absolutamente nada para mim.
Ele me olhou fixamente nos olhos, odeio quando ele faz isso! Eu me sinto zonza, não tem como não se perder naqueles olhos. Merlin esta sendo muito mal comigo, me deu um inimigo lindo, que beija bem e ainda por cima tem o olhar mais penetrante que eu já vi.
Ele se aproximou mais ainda de mim. Senti o calor do seu corpo, podia sentir sua respiração. Meu coração mais uma vez começou a disparar, e uma vozinha na minha cabeça gritava 'PERIGO' e pra variar eu ignorei. Senti aqueles braços me pressionarem contra a parede, ele foi se aproximando devagar. Tinha certeza que ele escutava meu coração. Ele se aproximou um pouco mais, e disse no meu ouvido:
-Isso é o que você diz, mas não acho que é o que você sente Weasley. – senti um arrepio percorrer minha espinha. Não podia deixar ele fazer isso comigo, mas meu corpo simplesmente não respondia aos comandos do meu cérebro. Eu sabia que não devia estar ali, sabia que ia fazer uma nova besteira. E o pior de tudo, que era exatamente o que eu queria.
-Você vai aprender de uma vez por todas a não subestimar um Malfoy. – E ao dizer isso ele eliminou o resto da distancia entre nós. Com um beijo.
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