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sexta-feira, 13 de maio de 2011

Capítulo 13: O Jantar II

O jantar estava indo bem. Algumas vezes Malfoy soltava alguma gracinha sobre meu namoro com Bernard, mas eu lhe lançava meu olhar mais feio e ele sossegava. Tudo estava indo bem demais para ser verdade.
-Então Gina querida como anda o estágio? – eu estava absorvida em meus pensamentos, tinha me concentrado em cortar aquele pedaço de carne que estava um tanto quanto duro. E pelo visto todo mundo da mesa decidiu olhar para mim e ver a deplorável cena. Tentei disfarçar com um sorriso, mas a atenção se mantinha no prato. Olhei meio nervosa e disse:

-Ah vai muito bem. – queria muito que ela não tivesse tocado nesse assunto, por que isso significava falar de mim e Draco, juntos. Coisa que eu estava evitando ultimamente.
-Por enquanto ainda não estamos fazendo muita coisa. Mas o nosso "chefe" disse que logo o trabalho aumentara. – eu não tinha idéia do que Draco estava falando. Nesses últimos dias de estágio me ocupei em ficar longe de Draco. Não, eu não tinha medo dele e sim do que eu poderia fazer em uma micro-sala com ele.

Eu forcei um sorriso. Queria tanto mudar de assunto. Mas minha mãe não deve ser boa de leglimencia. Ela simplesmente se virou para Bernard e disse:
-Você também está fazendo estágio no Profeta diário querido?
Bernard estava meio constrangido. Era uma coisa que Malfoy poderia se gabar, mas ele não pareceu nenhum pouco sem graça ao responder. Pelo menos seu tom de voz não mudara.
-Quando eu me juntei a essa turma a seleção para os estágios já tinha passado. Não tive tempo.

-Isso não faz diferença. De qualquer forma eu teria ficado com a vaga. –Despejou Malfoy. existe alguém mais egocêntrico que ele? Não!
-Há. – acho que meu "Há" deve ter saído um pouco alto, pois todos que estavam a mesa se viraram para me encarar. Depois de corar um pouco, juntei o resto de dignidade que sobrava em mim e disse:
-Ora você sabe que só ganhou o estagio por minha causa. – sabia que não deveria ter falado isso. Porque qualquer coisa que eu falasse ultimamente gerava longas discussões entre a minha pessoa e o tal loiro.

E realmente, a última coisa que eu precisava era discutir com o Malfoy. Principalmente na frente de todo mundo. Ele me olhou desafiador. E deve ter percebido minha cara. Eu praticamente implorava com o olhar para ele não falar nada. E eu acho que ele percebeu, pois disse apenas:
-Como quiser achar Weasley. – minha mãe nessa altura já devia ter cansado de importunar minha vida, mas não... Devia ser realmente legal fazer isso.

-Vocês dois. – começou ela apontando para mim e depois para Draco. –Por que se tratam tão formalmente pelo sobrenome? Qual é o problema de Draco e Gina?
Senti minhas bochechas queimarem. Olhei de relance para John e vi um sorriso no canto de sua boca. Ele estava segurando o riso. Ele mais do que ninguém sabia de tudo que houvera entre nós dois, e nossas razões para sermos formais.

Visto que nem eu e nem Draco respondemos a pergunta, mamãe não dada por satisfeita continuou:
-Vocês ainda não guardam rancor daquela época certo? – a última coisa que eu queria era relembrar meus tempos de Hogwarts, tudo iria voltar à tona, a guerra, as mortes. Tudo que eu preferiria esquecer, junto com ele. Mas o destino fez o favor de colocá-lo novamente no meu caminho. E essa pequena brincadeira me rendeu muitos momentos de choro.
Não poderia falar isso para mamãe, muito menos com Bernard ao meu lado. Eu não sabia o que dizer, e Malfoy começou:

-Realmente não vejo motivos para nos tratarmos assim, tão formalmente. – eu sorri e afirmei com a cabeça.
-Então pronto! – disse mamãe impondo tão alto que me fez pular da cadeira de susto. – Agora comecem a se tratar por Draco e Gina.
-Por mim tudo bem. – eu não podia crer em como Draco era tão bajulador. E porque ele se preocupava em ser assim com a minha mãe!

-O que acha querida? – mais uma vez eu havia me perdido nos meus pensamentos e minha mãe me trouxera a realidade. Reparei que todos estavam me olhando. Esperando uma resposta, ou pelo menos uma reação minha. Sorri. Um sorriso bem falso. E disse logo em seguida:
-Por mim tudo bem, Draco. – disse por fim. Nunca tinha imaginado que chamar o Draco de Draco era tão complicado. Mas minha mãe tinha bons métodos de persuasão, que um dia espero herdar dela.

O resto do jantar decorreu muito bem. Depois de terminamos a sobremesa minha mãe deu uma idéia, e como sempre eu pedi a Merlin que estivesse brincando.
-Querida porque não mostra o resto da casa a Bernard? – ela se virou para Bernard e continuou. – Ah temos um jardim tão lindo tenho certeza que irá gostar!
Ele sorriu para minha mãe, um sorriso que derreteria milhões de garotas e não pude deixar a cara de desdém do Malfoy.
-Seria realmente bom. – disse Bernard olhando para minha mãe e depois para mim. Dei um sorrisinho amarelo e disse forçando entusiasmo:

-Ótimo, vamos então? – e já comecei a me levantar. Quanto antes acabasse melhor!
Ele levantou também, e a cara de Malfoy continha vários tons, e a única coisa que ficava na minha cabeça: "Porque ele faz isso se não me quer?" Sério, depois falam que nós mulheres somos complicadas. Tudo bem, eu não sei se ele gosta de mim, ou se ele só fica com certa raiva por eu ter, digamos que, me recuperado rápido demais do fora. Mas seja o que for eu tratei logo de tirar ele dos meus pensamentos. Não era justo com Bernard, sabe... ficar pensando em outro que não é meu namorado bem quando ele está do meu lado.

Depois de mostrar rapidamente a casa, claro que não o levei no meu quarto, muito menos no quarto dos meus meios irmãos. Só andamos pelo andar de baixo e logo chegamos ao jardim.
-É realmente lindo aqui. – disse ele admirando o jardim.
-É sim, uma das coisas que mais gosto dessa casa. – eu tentei desviar meu olhar dele, era estranho estar assim, sozinha com ele.
Ele se sentou no banco e fez sinal que eu me sentasse também, e assim o fiz.

A parte mais estranha é que ao invés de pensar em beijar o garoto que estava na minha frente, (meu namorado por sinal) Eu estava relembrando da noite do meu aniversário, quando eu me encontrava neste mesmo banco, só que com outra pessoa. De repente toda aquela cena me veio na cabeça, depois lembrei dos beijos do Malfoy. E me senti muito mal por estar ali com Bernard. Sabe, ele não merecia uma namorada tão péssima quanto eu e que ainda amava outro. Foi ai que eu pensei:
Amar? Será mesmo que eu amo o Draco?
Não podia ser, ele apenas tinha sido um caso de atração que eu já esqueci. Tudo bem, eu ainda não esqueci, mas vou esquecer.
Assim espero.

-Vocês ta bem Gina?
-Cl-claro. – estava tentando ao máximo me lembrar de pensar no garoto a minha frente. Mas estava difícil.
-Gina você parece meio distante... – Ele se aproximou perigosamente e eu não tive outra escolha a não ser me afastar um pouco, parecia bem bobo para alguém que visse a cena de fora, ele se aproximando de mim e eu... Indo para trás.
-Nã-não, é que eu tenho medo que meu padrasto apareça só isso. – tudo bem não era uma bem uma mentira, eu não gostaria que meu padrasto me visse enfiando a língua na boca de um garoto, mesmo que fosse meu namorado. Seria constrangedor.

-Ah sim. – ele finalmente pareceu parar de insistir em me beijar. Ele se sentou ereto e olhou para a lua. Fiz o mesmo. –Posso ir ao banheiro? – Acho que foi a hora que mais me senti aliviada aquela noite. Sério o clima estava bem desagradável, e eu não o culpo de querer sair dali.
-Claro. – Não consegui conter o entusiasmo de ficar 5 minutos sozinha. Ele levantou e deu um beijo na minha testa.
-Já volto. – ele disse virando-se de costas e atravessando a porta de vidro.

Isso cortava meu coração, quer dizer, eu sabia que não gostava "gostaaaava" mesmo dele, e ele ainda era doce... Nossa,como eu sou má!
Mas eu não consegui ficar meus 5 minutos sozinha. Logo depois que Bernard saiu outra pessoa atravessou a porta. Um certo loiro, que eu acho que devia estar por perto, por que se não como saberia exatamente a hora de me atormentar?

Eu estava olhando para minha mão, mais precisamente para o tal anel, quando ele se sentou ao meu lado. Tomei um susto ao ver que era ele.
-Só vai aparecer o nome da pessoa quando você admitir que gosta dela. – ele disse sem sarcasmo nenhum na voz. Eu olhei para ele, examinei cada detalhe do seu rosto que, era sem duvidas perfeito.
-Eu já admiti, eu gosto do Bernard e ele é meu namorado! – ele se aproximou perigosamente de mim, assim como Bernard tinha feito. Só que não fui para trás, não senti vontade de fugir. Senti vontade de agarrá-lo.
-Não é porque você o namora que isso significa que o ama. – As palavras começaram a perder o sentido. Podia sentir sua respiração, meu coração martelava contra minhas costelas, tinha certeza que ele podia ouvir. Ele definitivamente sabia como me enlouquecer.

-M-mas é claro que eu o amo. – as palavras saiam da minha boca, mas já não faziam nenhum sentido. Eu sabia que não tinha um pingo de verdade naquilo, e ele também.

-Weasley, Weasley... Você pode enganar todo mundo com esse seu papinho, mas não pode enganar seu coração! – ele pegou minha mão, e apontou o anel. Maldito anel, maldito dia que eu reencontrei o Malfoy, maldita hora que me apaixonei por ele! Por que comigo?

Ficamos assim por algum tempo, podiam ser segundos, mas pareciam intermináveis horas. Sentia sua respiração tão próxima de mim, isso me dava arrepios. Olhei em direção a sua boca, como eu queria que aqueles lábios fossem meus, mas eu sabia que não devia, não podia fazer isso com Bernard. Reuni todas as forças que consegui dentro de mim, olhei bem fundo naqueles olhos acinzentados e disse:

-Malfoy eu posso até não amar o Bernard, mas eu gosto dele, ele é uma ótima pessoa e sei que nunca vou me magoar.
Ele se endireitou e fitou o céu. Continuei imóvel e olhando direto para ele.
-Não se preocupe, você não vai se magoar. – olhei desconfiada para ele, onde ele queria chegar? – Você não deixa ninguém chegar perto de você o suficiente para isso.
Fiquei atônita com aquilo. Quem era para falar que eu não deixava ninguém se aproximar de mim? Ele nem ao menos me conhecia.

E assim como ele havia feito da última vez que estivemos naquele jardim, ele fez dessa vez. Saiu andando e me deixou ali, cheia de duvidas e queimando por dentro. Era oficial, eu realmente ODEIO o Malfoy.
Depois de algum tempo Bernard voltou do banheiro. Tentei sorrir ao vê-lo e tirar da minha cabeça os recentes acontecimentos. Mas não deu muito certo.

-Gina você tem certeza que está bem? – olhei nos olhos dele. Eram de um azul bebe profundo e ele me olhava tão meigo. Merlin porque eu não consigo gostar dele?
-Me beija? – eu disse sem pensar.
E ele também não pensou duas vezes, me puxou para perto de si e me beijou. Senti seus braços apertarem forte minha cintura. Parecia que ele queria se assegurar que eu não sairia dali. Mas ao contrario da vez que eu beijei Malfoy, não senti nenhum daqueles arrepios percorrem minha espinha. Nem ao menos fechei os olhos. Fiquei ali, sem ao certo saber o que fazer, deixei ele me beijar, não retribui direito. Mas ele parecia não se importar.

Logo ele me soltou, e parecia ter sido uma eternidade, mas acho que não passou de um minuto. Tentei sorrir, parecer que havia gostado. Mas ele disse apenas:
-Já ta tarde, vou indo.
-Ah sim, eu te levo até a porta. – ele sorriu e entrelaçou seus dedos nos meus. E passamos de mãos dadas pela porta de vidro até a porta da casa. Abri a porta educadamente e ele me disse as três palavras que eu mais temia em ouvir, pelo menos da boca dele.

-Eu te amo. – eu não soube o que responder, e como falam que às vezes a melhor resposta é o silêncio, assim eu fiz. Fiquei muda e imóvel. Ele se aproximou e me deu um beijo. Foi mais um toque de lábios do que um beijo. Ah Merlin... por que ele tinha que me amar?
Fechei a porta depois que ele saiu. E me deparei com nada menos que ele. O Malfoy.

-Não é essa a cara que as pessoas fazem quando alguém diz que a ama e elas sentem o mesmo.
Era o que eu precisava. Ironia agora, e vindo dele. Fuzilei-o com o olhar e segui em direção as escadas. Não olhei para trás em nenhum momento. Sei que ele observou cada passo meu. Podia sentir seu olhar sobre mim.

Entrei no meu quarto e me joguei na cama. Eu estava me sentindo um lixo. Meu namorado tinha acabado de dizer que me amava e eu não fiquei feliz ao saber, senti vergonha. Vergonha de não poder retribuir aquilo. Vergonha de saber que mesmo assim eu continuava com ele. Agarrei meu travesseiro e fiquei assim até adormecer com roupa e tudo.


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N/a eba! Comentários, rs.
A demora de postagem não foi culpa minha, o blogger estava de mal cmg e não me deixava logar.
Mas aqui está o 13 e vou colocar o 14 hj tb!
beijos

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