Hoje não acordei de uma das melhores maneiras possíveis.
Amanhã recomeça a minha "querida" rotina de:
Academia, estágio, casa (E um pouco de Draco), e bem, queria aproveitar hoje e dormir até um pouco mais tarde. Mas meu plano não foi sucedido, logo cedo acordei com batidas na janela do meu quarto. Tentei ignorar ao máximo, mas o tal barulho continuava. Abri um olho e vi uma coruja branca, tentando entrar em meu quarto.
Reconheci na hora Edwiges, apenas não sabia o que Harry poderia querer comigo à uma hora dessas. Levantei da cama vagarosamente e fui me arrastando até a janela. A ave estava batendo as asas freneticamente, e fazia muito barulho. Assim que abri a janela ela entrou no quarto e despejou uma carta em cima da minha escrivaninha. Acariciei-a, mas ela não devia estar esperando resposta, pois logo tornou a levantar voou, me deixando apenas com a carta e com grandes bolsas debaixo dos olhos.
Fui até a escrivaninha para ver a tal carta. Era de Bernard. Senti-me um pouco mal quando vi uma carta dele ali, pois lembrei que ainda tinha muito que falar com ele. Abri devagar o envelope e dentro dele tinha apenas um pedaço bem pequeno de pergaminho. Peguei o pergaminho e comecei a ler.
Senti meu estomago começar a embrulhar, ele queria se encontrar comigo, hoje, naquele parque perto de casa.
Não sabia o porquê de tanto nervosismo. Ta eu sabia, é que não me agradava nem um pouco dar "um fora" em alguém.
Mas eu tinha que fazer. Ele havia pedido que nos encontrássemos as 14:00 e sabe eu decidi que não teria mais jeito. Ia ser hoje, as 14:00 que eu estaria enfim livre. Olhei no despertador, 09:00.
"Ainda" pensei enquanto ia tomar uma ducha, para ver se eu acordava de vez.
Depois do meu banho rápido, decidi descer e tomar café. Ainda estava cedo, por isso, acho eu, que todo mundo estava à mesa.
Todo mundo ficou me olhando quando me sentei, ou eu estava com muitas olheiras, ou apenas estavam surpresos por eu estar acordada há essa hora. De qualquer forma minha mãe veio logo querer saber porque hoje eles tinham a honra da minha pessoa a mesa há essa hora. Ela falou exatamente isso, "a honra". Há. Olhei para ela, ainda um pouco bêbada de sono e disse:
-Ah eu recebi uma carta hoje mais cedo. E não consegui dormir mais.
-Hum de quem querida? – sabia que eu havia falado demais. Ela agora ia achar outras coisas, por que minha boca não fica quieta para variar?
-Do Bernard. Ele chegou de viajem. – disse bem calma, pegando uma torrada e passando geléia de abóbora, minha preferida.
-Que ótimo querida. – começou minha mãe. – Por que não o traz aqui? – quase me engasguei com um pedaço de torrada. Odeio quando minha mãe tem essas idéias. E não, eu não ia dar o tal fora nele na minha própria casa. Ia ser péssimo. Tentei disfarçar o pequeno incidente sorrindo, não deu certo, todos continuavam a me olhar como se eu tivesse três narizes. Tudo bem eu exagerei.
-Veja mamãe. – comecei de uma maneira bem agradável. – Já marcamos de nos encontrar no parque. – tudo bem, não foi lá uma desculpa muito boa, mas era a verdade e ela pareceu entender muito bem. Pois apenas me deu um sorrisinho.
Depois de comer muitas torradas e beber toneladas de suco de abóbora, decidi me retirar da mesa e voltar para o meu quarto.
Ainda estava bem cedo, e decidi ficar treinando minha conversa com Bernard.
Fui até o banheiro, parei em frente ao espelho e comecei a falar com meu reflexo. Não é lá uma coisa que eu gostaria que os outros vissem, mas me acalmava.
-Olá Bernard. – sorri, e meu reflexo sorriu de volta. Acho que se ela pudesse falar iria me chamar de idiota. Mas eu continuei.
– Então, como foi seu Natal? – como foi seu Natal? Nossa eu não posso dizer isso. Sabe vai desviar totalmente do assunto, e bem não é minha intenção. – você tem que ser clara e rápida. – dizia em voz alta.
-Olá Bernard. – comecei de novo. E dei um belo sorriso. Melhor sem sorriso, fui o que pude deduzir quando me olhei no espelho.
-Eu acho que deveríamos conversar.
Muito manjada essa. Não poderia destroçar os sentimentos de alguém começando com aquela velha historia do "temos que conversar". Simplesmente não dava.
Olhei para meu reflexo, meu cabelo estava lamentável. Desisti de treinar meu dialogo com Bernard e fui atrás da minha escova, meu cabelo precisava de uma, urgentemente por sinal.
Fiquei escovando ele e me preparando psicologicamente. Eu não sou craque em destroçar corações, entende?
Voltei ao espelho, precisava treinar mais. Antes de começar a falar vi que meu cabelo já não era mais um problema, ele parecia mesmo um cabelo, e não uma juba de leão como há alguns minutos atrás.
Só que o que me chamou a atenção dessa vez foi dois círculos pretos em volta dos meus olhos. Nunca tinha visto olheiras tão profundas que nem as minhas. Precisava dar um jeito nisso também. Olhei no relógio, já eram quase 13:00, e bem meu estomago estava doendo de fome. Já tinha passado o efeito das torradas. Arrumei meu vestidinho, e desci.
Para variar ninguém mais estava na mesa. E não me restou nada a não ser procurar o elfo simpático na cozinha e arranjar algo para comer.
Quando cheguei à porta ele veio rapidinho, como sempre. E eu pedi que ele me desse um prato do almoço. Estava cansada de sanduíches. No minuto seguinte eu já tinha uma bandeja nas mãos, a mesma que eu derrubei no chão uns dias depois do Natal.
Sentia aquelas borboletas no estomago. Sentia-me tão nervosa. Sabe não faz muito o meu estilo destroçar pobres corações, nem estraçalhar sentimentos. Tudo bem você não vai destroçar o coração de ninguém. Só vai explicar que simplesmente não dá mais para vocês ficarem juntos. Repetia a mim mesma na fraca tentativa de me acalmar.
Coloquei a bandejinha na mesa, e me sentei. Minhas mãos estavam começando a suar. Peguei uma garfada de alguma coisa verde. Não quero nem saber o que era.
-Gina? – quase pulei da cadeira de susto. Eu estava tão concentrada que simplesmente não vi Draco entrar. Tentei disfarçar sorrindo. Mas ele continuava com aquela expressão indecifrável.
–Tudo bem? – continuou ele, num tom de voz muito calma.
-Ah tudo. – sério, não dava para ser menos convincente.
-Então por que ta tão assustada? – ele foi se aproximando. E pude sentir aquele cheiro bom dele entrando pelas minhas narinas.
-É que eu estava distraída. – não era uma mentira sabe, eu estava bem distraída mesmo.
-Sei. E tava pensando em quê? – eu não poderia simplesmente virar e falar, em quê? "A eu estava pensando em como dar um fora no meu namorado por que eu estou gostando de outro cara, ah e olha, por sinal é você!" Não dava para falar isso, por isso resolvi omitir toda a parte do fora.
-Recebi uma coruja de Bernard. Ele chegou hoje. – meu coração começou a acelerar. – e pediu para nos encontrarmos hoje.
Ele sorriu. Acho que ele tinha entendido o porquê do nervosismo.
-bem, boa sorte. – disse ele e depois simplesmente saiu dali. Deixando-me ainda mais nervosa.
Vi no grande relógio da sala que já eram 13:50 deixei o prato ali mesmo, fui ao banheiro dar uma ultima olhada no espelho.
Não estava nada mal. Dirigi-me a porta e aparatei no parque. Fiquei ali alguns minutos, até que escutei alguém chamar meu nome.
-Gina! –escutei de novo, decidi me virar, olhei para as minhas mãos, elas continuavam suando. Era ele. E posso dizer que ele estava mais bonito que antes. Mas ainda sim não tinha aqueles braços, nem aquele cabelo loiro caindo em sua face. Concentração. Eu precisava me lembrar dessa palavra.
Ele me deu um aceno. E eu fiz o mesmo. Ele veio para perto de mim. Pude ver que estava mais bronzeado. Onde ele foi passar o Natal?
"Isso não interessa, não desvie da conversa".
-Puxa você veio. – ele disse quando se aproximou.
-Pois é eu vim. – comecei mal, mas ele também parecer estar nervoso. Vou acabar com isso de uma vez.
-Nós temos que conversar. – eu me surpreendi, eu não fui a única a usar a tal frase. Eu e Bernard falamos a mesma coisa.
Tudo bem, agora além das mãos suando meu coração começou a acelerar. Ficamos nos olhando por um instante.
-Fale você. – isso estava começando a ficar muito estranho. Mais uma vez falamos ao mesmo tempo, a mesma coisa. Ele deu uma risadinha. Que com certeza era de nervoso.
-Fala você primeiro. – eu tentei dizer não transparecendo meu nervosismo. Ele sorriu.
-Ta. Bem eu você se sabe que fui passar esse feriado no Brasil com o Harry e mais uns amigos.
-Certo. – eu não sabia da parte do Brasil, mas no momento não interessava.
-Então... – continuou ele. – A gente ficou na casa de um amigo nosso.
– Tudo bem, não precisava ser leglimente para saber o que viria depois.
– E ele tinha uma irmã. – droga, minhas suspeitas se confirmaram.
-Sim? – meu coração batia freneticamente no peito. Eu sabia onde ele queria chegar, e sabe eu não queria ouvir. Tudo bem, eu ia terminar mesmo, mas é diferente.
-Não que eu não goste de você, e ache que você é uma pessoa super legal, sem falar que é linda. Mas bem... desde que eu conheci a Thamires... Acho que não podemos mais ficar juntos. – respirei bem fundo. Eu tinha acabado de levar um belo fora certo? E era exatamente o que eu queria. Agora por que eu não me sentia feliz?
Talvez seja pelo fato de que ser trocado nem sempre é legal.
Senti-me tão mal nessa hora. Mal por ter deixado a situação chegar naquele estado. Pude sentir o que ele deve ter sentido em relação aos meus sentimentos.
E vi que eu deveria ser uma pessoa muito ruim. Não consegui dizer mais nada. Meus olhos estavam lacrimejando. Não queria chorar na frente dele. Não queria que ele sentisse pena de mim, ou se sentisse culpado. Também não sabia explicar o que sentia. Virei de costas, dei alguns passos e aparatei na minha sala de estar.
Agora minha vista estava embaçada. Grossas lágrimas já caiam na minha face. Vi que tinha alguém na sala. Mas eu não queria falar com ninguém. Subi correndo as escadas. Escutei passos atrás de mim.
Tudo que eu menos precisava era ouvir sermão de alguém.
Sabe eu sei que errei com Bernard, em deixar a situação chegar naquele ponto. Mas eu ainda me sentia mal. Por ter levado um fora.
Entrei no meu quarto e bati a porta atrás de mim. Joguei-me na cama e fiquei assim por algum tempo. Escutei alguem bater na porta. Não respondi, eu não queria ver absolutamente ninguém.
-Eu sei que você esta ai. E eu vou entrar. – parei de chorar na hora. Era o Draco na porta. A voz dele estava séria. Limpei meu rosto e sentei na cama. Ele abriu a porta devagar e veio até mim. Sentou-se na minha cama. Fiquei apenas olhando. O que ele poderia querer justo agora?
-Foi tão mal assim lá? – ele disse olhando para o nada. Continuei olhando-o. – sabe pensei que você fosse apenas terminar tudo.
-Bem ele terminou comigo antes. – ele me encarou. Senti um arrepio ao senti-lo tão perto.
-E isso é ruim? – não conseguia pronunciar nada. – pensei que você não gostasse dele.
-E não gosto. – sabe ele falando assim eu parecia uma idiota.
–Mas...
-Sabe eu não entendo vocês mulheres. – começou ele me interrompendo. – são tão complicadas. Não era exatamente isso que você queria, terminar tudo com ele. – ele praticamente cuspiu a ultima palavra.
-Tudo bem, eu sou uma idiota. – eu disse isso um pouco mais alto do que eu queria. Ele abriu um sorrisinho com o canto da boca.
-Eu sei. – levantei uma sobrancelha. Isso era uma frase retórica.
-Hei! – eu disse na defensiva, mas logo ele começou a rir. Ri também, não sei de que. Mas eu estava me sentindo melhor.
-Mas é uma idiota muito bonita por sinal. – eu não pude deixar de sorrir ao ouvir aquilo, ainda mais vindo dele. Uma ultima lagrima havia escorrido pelo meu rosto.
Gelei quando ele levantou sua mão e limpou-a do meu rosto. Como era bom sentir o toque de sua mão.
Fechei os olhos e senti seus dedos na minha face. Ele havia feito com que eu me sentisse melhor. Abri os olhos vagarosamente, e a senti-o se aproximar de mim. Estávamos tão perto que podia sentir sua respiração em meu rosto. Ainda me sentia um pouco idiota por toda a historia com Bernard e tudo mais. Mas a felicidade que eu senti naquele instante, foi bem maior.
Ele levantou sua mão e pousou na minha cabeça, fazendo nos aproximarmos mais. Fechei novamente os olhos, e relaxei a boca. E ele acabou por eliminar nossa distancia com um beijo. E por Merlin, aquele beijo que me fazia esquecer do mundo e de tudo. Eu o beijei de volta e passei minhas mãos por trás de sua cabeça.
Ficamos assim por algum tempo. Não muito, logo Michael bateu a porta e combinamos fingi que nada havia acontecido.
Até que meu dia tinha sido bem proveitoso.
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N/a to uma lerdesa por aqui, mas é pura falta de tempo. Amanhã tento colocar mais um!
beijos amoures,
Flora Sly