Essa foi uma semana bem cheia, não via a hora de chegar sexta, e finalmente ela chegou. E se você se perguntar porque ela foi cheia, bem de onde devo começar?
Ah sim, o meu 'querido' vizinho, é a última pessoa que eu gostaria de ver na face da Terra, e além dele ficar enfurnado aqui em casa todo dia, eu ainda tenho que aturar ele e o seu grupinho sanguessuga. E só pra melhorar a situação, ele leu o meu caderninho de poemas, e isso foi realmente incomodo e se você acha que acabou por ai, se enganou, eu ainda tive que trabalhar com ele em um projeto, foi realmente muito difícil, mas eu estou me superando na arte de 'aturar Malfoy'. Fora isso, posso dizer que esta tudo indo normal.
Se normal quiser dizer, que tem um garoto simplesmente lindo na sua sala de aula, e ele parece acreditar que vocês formam um casal realmente legal, exceto pelo fato de que talvez namorar um cara que se preocupa mais com o cabelo do que com a namorada não seja a melhor escolha. É, eu não via a hora de chegar sexta-feira.
E o bom de chegar sexta é que, o dia que se sucede, é sábado, e neste em especial, só há uma coisa a me incomodar. É meu aniversário. Nunca fui muito com a cara de fazer aniversários, por isso não estou tão animada...
Meu dia não começou muito bem, como dizem os trouxas, levantei com o pé esquerdo, então, foi exatamente isso que aconteceu.
Estava tudo indo bem, acordei como de costume, tomei meu café da manhã, e me dirigi ao carro de Michael. Tudo como numa simples manhã, eu achava isso até chegar à escola.
Sabe, foi bem legal no começo ter o Bernard atrás de mim. Afinal, não era todo dia que um garoto lindo se interessava por mim.
E era muito divertido ver aquelas parasitas de Malfoy's se roendo de raiva por eu estar recebendo as atenções deles. Mas só depois percebi que beleza não era tudo, sério, existem certas pessoas que deveriam permanecer constantemente caladas. Uma delas é Bernard, ele conseguiu ser mais convencido que o Malfoy, e olha que eu pensei que isso fosse impossível. Ele é aquelas caras bonitinhas e sem papo. Em todas essas 'amáveis' horas que passamos juntos, só consegui descobrir qual é o xampu que ele usa, como se eu me interessasse.
e isso quando ele não desembucha a falar de Quadribol, o.k., eu amo quadribol, mas ele só fala isso, a cada frase completa que ele diz, ou são sobre quadribol e Harry Potter, que por sinal é amigo dele, ou ele fala de como ele é bonito e essas coisas.
Não daria para namorar um garoto que prefere o próprio cabelo. Mas de qualquer forma, era divertido observar as sangue sugas do Malfoy se roendo de raiva, e se posso dizer que ele também.
-Gina! – disse uma voz atrás de mim assim que eu acabara de sair do carro. Quando me virei tive vontade de sair correndo, mas tarde demais, ele já estava a 5 passos de distância. E o cara não era tão burro. Até que se prove o contrario.
-Er...Oi! – disse eu vacilante.
-Eu falei com o Harry ontem! – começou ele. Eu disse que de 5 palavras 4 são Harry.
-Que legal! – eu disse naquele tom de estou pouco me lixando, mas acho que ele não percebeu, pois continuou:
-Ele me disse que amanhã é seu aniversário. E estava pensando se você vai fazer algo... – o.k. ele queria que eu o chamasse para a minha festa, tudo bem, não tem festa, mas mamãe disse que posso chamar quem eu quiser para um jantarzinho... Será que eu quero esse modelo de xampu de cabelos no meu jantar de aniversário? Bem, eu normalmente não tenho poder sobre minha boca, então eu apenas disse:
-Vai ter um jantar lá em casa, se quiser aparece. – e sai andando sem dar mais explicações, logo ele ia começar a falar de como ele rebateu dois balaços, e eu definitivamente não estava com cabeça para isso.
Mas minha idéia não foi muito boa, ele logo me seguiu. E eu tentava desesperadamente despista-lo, mas tentavas
Estava indo abrindo a porta do meu armário quando senti alguém fecha-la atrás de mim. Me virei rapidamente pensando em socar a criança, e me deparei nada menos do que com o Malfoy.
Sério, deveria existir uma lei que proibisse os inimigos de serem tão gatos. E eu tinha todas as palavras na ponta da língua, mas como eu já disse, minha boca não costuma obedecer meu cérebro. Então, lá estava eu, entre aqueles braços bem definidos, encurralada no meu armário. Aquele perfume dele começou a invadir minha narinas, e eu já estava achando que se não saísse dali bem rápido, eu não poderia me responsabilizar pelos meus atos.
-Ora, ora cadê seu namoradinho Weasley?
-Ele não é meu namorado.
-Não é o que parece. – como eu poderia namorar com um cara entende mais de roupas que eu? Mas claro que eu não ia o deixar saber. Não quero dar esse gostinho a Malfoy.
-Me poupe das suas observações.
-Vocês só andam juntos desde que ele chegou. E ainda diz que não tem nada com ele.
-Desde quando com quem eu saio te interessa? Faça-me o favor e desapareça. – e assim eu empurrei um dos seus braços e sai o mais rápido possível, o que não foi tão rápido, pois logo ele estava atrás de mim.
-Sabia que é falta de educação deixar os outros falando sozinhos?
-Há! – disse eu o mais irônica possível. – Desde quando você é o rei da educação?
-Eu tenho classe, diferente de você.
-Então vá você e sua classe pra Cornoalha. – às vezes eu me surpreendo como eu sei ser grossa.
-Assim você me magoa! – mais cínico, impossível, ele estava me dando nos nervos. Eu não precisava ter outro idiota atrás de mim. Por Merlin, o que eu fiz para merecer isso?
-Vá caçar sapos de chocolate Malfoy.
-Weasley, Weasley... Não seja tão rude. – parei de andar e me virei para ele. É realmente impressionante como ele consegue ser tão lindo, mas em compensação é um idiota de primeira.
-Malfoy, eu te aturo todo dia, será que você não poderia me deixar sozinha pelo menos agora?
-Não! – revirei os olhos, que diabos ele queria afinal?
-E posso saber o motivo?
-Acabei de falar com o professor Edward... – começou ele. – E ele me disse que já viu todos os projetos.
-E? – continuei nunca quis tanto conversar com um Malfoy.
-E que você não quer falar comigo... – dá pra acreditar em como ele é? Revirei os olhos mais uma vez e seu olhar encontrou o meu.
-O.k. você não vai dizer? – minha cara deve ter sido assustadora, pois ele acrescentou.
- Ele apenas disse que o nosso trabalho estava ótimo, bem escrito, bem elaborado, e a minha idéia foi ótima. – terminando a frase ele fez um sorriso bem falso.
-Sua idéia uma ova. A idéia foi NOSSA.
-Ei, calma Weasley... – ele não terminou de falar pois logo me seguida o sinal bateu, e eu estava aliviada de não ter que olhar na cara dele pelo menos na sala.
Em segundos os corredores se esvaziaram e Malfoy já havia voltado ao grupinho sanguessuga. E Bernard, para meu azar, se juntou a mim, novamente.
As horas pareciam se arrastar, talvez fosse apenas ansiedade para a última aula, que seria do Sr. Edward, ou pelo fato de Bernard estar do meu lado falando de umas coisas sem pé nem cabeça.
Mas finalmente a última aula chegou, e classe estava um tanto quanto quieta. E principalmente quando o professor anunciou que já tinha as decisões do estagio, e primeiro comentaria todos os projetos.
Tive pena das minhas unhas, roí todas, e mesmo assim a sensação das borboletas passeando na minha barriga não diminuía.
E como o Malfoy tinha dito, ele realmente elogiou bastante nosso trabalho, o que me deixou um pouco mais aliviada.
-Bem senhores – começou ele aumentando a voz fazendo assim com que todos se calassem. Eu olhei rapidamente para Malfoy, pude ver um ligeiro nervosismo passar em sal face, mas ele não era lá de demonstrar o que sentia...
-Devo dizer que todos os trabalhos estavam excelentes – meu coração já estava no esôfago, ele podia pular a parte de todos são vencedores... – mas só teremos vaga para dois estagiários. – acho que se eu tentar falar algo meu coração sai junto, porque ele enrola?
-E sem mais delongas... – agora ele diz isso? – o estagio no 'Profeta Diário', vai para a Srta. Weasley e o Sr. Malfoy.
-ISSO! – foi a única coisa que eu consegui dizer, ou melhor berrar, tudo bem, eu levantei num salto, mas não era todo dia que eu ganhava estágios no jornal bruxo mais lido da Inglaterra.
-Devo parabenisar a todos, e gostaria de dar mais informações ao Srs. – ele olhou para mim e para o Malfoy, que tinha um belo sorriso estampado no rosto, era impressionante como ele ficava ainda mais lindo sorrindo. – então, gostaria de pedir aos Srs. Que ficassem um pouco mais comigo, depois que bater o sinal, e lhe darei as informações que precisam. – apenas afirmei com a cabeça. Queria ter certeza que não era um sonho. É não podia ser, Malfoy estava lá.
O sinal tocou, recebi muitos parabéns, e abraços, mas claro que Malfoy recebeu o dobro, mais devo dizer que um abraço meu valia por 5 do que ele recebia.
Todos já haviam se retirado e só ouvi Michael dizendo algo para Malfoy que logo se juntou a mim e ao professor.
- Meus parabéns aos dois, realmente o trabalho estava fantástico, e como havia falado, vocês vão fazer um estagio, não por muito tempo, mas tenho certeza que quando se formarem, já terão emprego garantido.
Eu não conseguia parar de sorrir, sentia ele se formar naturalmente, fazia tempos que não me sentia tão bem, e apesar de tentar disfarçar, eu sei que Malfoy também se sentia assim, afinal, ele deve ter um coração.
O professor nos explicou algumas coisas sobre como deveríamos agir, e o que faríamos, e depois se despediu, nos deixando a sós.
Peguei minhas coisas e fui o mais rápido possível em direção a porta, minhas ultimas experiências diziam que ficar numa sala sozinha com Malfoy, não era boa coisa.
Mas senti algo agarrar meu braço, ou melhor alguém, olhei para trás e vi que era ele me prendendo. Depois de segundos de delírios, recobrei a consciência e fui logo falando:
-Me solta Malfoy!
-Não, você vai comigo!
-Há, porque você acha que eu iria com você?
-Porque Michael teve que ir já e me pediu que te levasse.
-Ah, e você vai me levar como? Não lembro de você vir de carro, e eu sei aparatar ok?
-Não me interessa, eu prometi...
-E desde quando você é tão honesto?
-Olha Weasley não reclama.
-Ta, mais só me diz uma coisa, como você pretende me levar? Andando? Eu já vou avisar que não pretendo ir para casa com a sua companhia...
-Não seja tonta, seria mais de meia hora andando!
Eu não havia percebido, mas no meio da discussão acabamos muito próximos, tão próximos que eu ouvia até sua respiração.
Ninguém falou por alguns segundos, estávamos próximos demais, e uma vozinha na minha cabeça gritava 'perigo, perigo!' mas o resto do meu corpo parecia não compreender aquilo. Aqueles olhos, me faziam perder a consciência, aquele cheiro que invadiam minhas narinas me fazia entrar
-Srs.? – uma voz ecôo na sala. Olhei desesperada para a porta e lá estava o Sr. Edward, era uma das únicas vezes que ficava feliz
Eu ainda estava meio zonza, quando Malfoy falou:
-Então vamos?
-Olha, eu não sei porque você não simplifica, eu aparato na minha casa e você na sua.
-Eu te levo para casa nem que seja no colo Weasley.
-Há. – disse o mais sarcástica possível.
E antes que eu pudesse fazer algo, senti meu corpo sendo levantado. Eu não sabia se ria ou batia nele, só sei que num segundo estava sendo levantada pelo Malfoy.
-Nunca duvide de um Malfoy, Weasley!
-Ah Malfoy, você provou que é forte... Me solta!
-De jeito nenhum. - disse ele me encarando, eu sentia meu rosto queimar de vergonha, era meio constrangedor ser carregada por ele.
E assim ele me levou até o pátio da escola bem afastado e aparatamos.
Eu não conseguia parar de rir, apesar de ser meio desconfortante ser carregada por ele, era algo bastante engraçado.
Até aparatarmos no meu quarto. Eu olhei meu feio para ele, mas ele logo acrescentou:
-Entregue! - ele falou como se ele fosse um entregador de pizza, e no momento eu deveria ser a pizza.
-Há que engraçado! – falei sarcástica. Ainda nos braços dele.
E em vez de pensar que ele era um metido insuportável, eu pensava em cenas românticas, daquelas que o herói trás a mocinha nos braços e a coloca delicadamente na cama.
Mas como o Malfoy ta longe de ser Herói, e eu mocinha. Não foi isso que aconteceu.
Ele me atirou na cama, e tive que me agarrar nos lençóis para não ir para o chão.
Olhei feio para ele e acrescentei:
-Obrigada! – e sorri o mais falsamente possível. E ele retribuiu o sorriso.
-Agora que a ruiva está em lugar seguro, vou para casa e parar de salvar o mundo por hoje.
-Há e mais há. – disse eu ainda sentada torta na cama.
-Ora Weasley, confessa que você ainda queria estar em meus braços. – acho que ser mais modesto seria impossível né?
-Ah vá caçar sapos de chocolate Malfoy.
-Weasley você tem que aprender a não duvidar de um Malfoy!
-E você precisa cair na realidade. E ver que não soa todas as garotas que estão ao seu pé.
-Posso até não ter todas aos meus pés, mas eu também não disse que queria todas. Para mim basta uma querer. – Seria possível um Malfoy admitindo que ama alguém? É muito para uma sexta feira certo?
-E posso saber quem é a tal azarada?
-eu não disse que escolhi alguém disse?
-Você deu a entender...
-Então aconselho a você praticar leglimência, você é péssima.
E assim ele saiu, fazendo barulho ao passar pela porta.
Não seria possível que um Malfoy pudesse amar... Seria?
Não sei qual porque mais essa noticia definitivamente mexeu comigo.
Azar o da garota, não é da minha conta de quem o Malfoy gosta ou deixa de gostar. É?
Afundei na cama com a cabeça borbulhando, de repente minha vontade só foi de ficar ali parada pensando. As vezes faz bem refletir o rumo que as coisas estão tomando, e eu estava precisando ver isso, antes de perder o controle, não só da vida, mas do meu coração. Se é que se pode controlar os sentimentos. E definitivamente eu precisa aprender o mais rápido possível.
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